domingo, 15 de janeiro de 2017

BDpress #472: A História Ilustrada do Futebol de David Squires – no jornal A Bola de 11/01/2017

BDpress #472

A História Ilustrada do Futebol
de David Squires
Em A Bola, 11 de Janeiro de 2017 
Por Miguel Cardoso Pereira 

David Squires, 31 anos, desenhador no jornal britânico The Guardian segura o livro recentemente lançado A História Ilustrada do Futebol, editada pela Penguin. 


David Squires é ilustrador do jomal britânico The Guardian e publicou recentemente, pela Penguin, A História Ilustrada do Futebol. O autor não é propriamente comedido no período histórico que o livro compreende.

“Abrange tudo, na verdade desde Neandertais que jogam futebol com a cabeça dos chefes de tribos rivais, até ao Leicester campeão”, explica em conversa com A BOLA. Referindo-se ao primeiro cartoon da obra, justamente chamado Fémures por postes e barras.

O livro tern sido bem recebido, sobretudo no Reino Unido, país ao qual mais alude. São 100 desenhos novos – criados para este trabalho e não recuperados do The Guardian – acompanhados por breves contos de enquadramento. Entre eles há várias referencias a Portugal. “José Mourinho é a pessoa que mais desenhei na carreira, creio. Ele é o sonho de qualquer cartoonista, pois é autêntico, tem uma expressão eloquente e comporta-se de forma polémica. Espero que ele fique muitos anos no Manchester United, ou por lnglaterra, porque gosto muito de desenhá-lo”, deseja David Squires.

A OFERTA DE WENGER

Em A História Ilustrada do Futebol, há efectivamente, um momento dedicado a Mourinho e não é um momento qualquer: é um nascimento divino que o compara a Jesus – não ao treinador do Sporting, mas sim ao próprio Jesus Cristo. Chama-se Sigam aquela estrela – o nascimento de José Mourinho e é mais ou menos assim: nasce de imaculada concepção e começa desde bebé a dar instruções a pais, enfermeiras e até a Claudio Ranieri, Rafael Benitez e Arsène Wenger que, quais reis magos, lhe oferecem presentes que desconsidera, particularmente o incenso oferecido pelo francês: “Incenso? Realmente és perito em presentes falhados”.

EUSÉBIO E AS COISAS SEM PIADA

No livro há campeões do Mundo, hé Pelé e Maradona, há o United campeão europeu em jogo com o Benfica em 1967/68, há a façanha da Grécia campeã da Europa em 2004 (em piada que mistura gastos de portugueses e gregos no enquadramento da União Europeia...) e há Eusébio a resolver o Portugal - Corela do Norte no Mundial de 1966 (jogo que acaba com intervenção divina e futurista de Kim Jong-un “restaurando a ordem e levando a Coreia do Norte à conquista do quinto Campeonato do Mundo consecutivo”), há máquinas italianas e alemãs, há primorosas influências holandesas, há, em Leões de Lisboa, o Celtic campeão europeu e ainda menções à agressão de Cantona a um adepto, ou as mortes, diferentes, do colombiano Andrés Escobar e Johan Cruyff. Apesar de Squires ser humorista, nem tudo é piada.

“Há temas que trato com diferente sensibilidade porque neles não vejo espaço para o humor. Considero que o trabalho de um cartoonista, de um humorista, reflecte sempre a moralidade e os valores de quem exerce a actividade. Fazer um desenho sobre atentados terroristas em estádios de futebol ou a morte de Cruyff, implica um trabalho que não deve ser feito com graça. Muitas vezes luto com essas demarcações, contudo nunca faria urn cartoon no qual ridicularizasse alguém tendo por base etnicidade, género, sexualidade ou pobreza. Não consigo”, explica Squires, que a propósito da morte de Cruyff fez uma adaptação da Criação de Adão, pintada por Miguel Ângelo na Capela Sistina, mas com Cruyff como Deus e Guardiola como Adão. 

O cartoon sobre a morte de Cruiff mencionado no texto...

A CRIANCICE EM RONALDO

O internacional português Cristiano Ronaldo, capitão da Selecção Nacional e estrela do Real Madrid é outro dos temas preferidos do caricaturista. Está até na capa do livro, equipado à Real Madrid, entre Maradona como capitão da Argentina e Messi trajando o controverso fato púrpura que usou na gala da FIFA em 2015.

“Ainda que, lastimavelmente, já não actue em lnglaterra, é incontornável na históra do futebol. No The Guardian trabalhei muito Ronaldo durante o Euro-2016 – por inerência toda a Selecção portuguesa; também usei o Nani, mas não de forma tão assídua e foi fantástico. Além de ser um dos mais dotados futebolistas da última década, tem aquele lado meio infantil da personalidade que o leva a atirar o microfone de um jornalista para o lago, como aconteceu em França”, recorda o desenhador britânico.

Na história A guerra para acabar com todas as guerras, Ronaldo e Messi dividem protagonismo. Apresenta-se um novo Mundo no qual os grandes futebolistas são mais importantes do que os clubes que representam, disputam golos, troféus, dinheiro e exposição mediática à escala extraterrestre. “Mais um hat-trick e outro recorde batido. Ninguém me pode apanhar”, celebra Messi para um companheiro de equipa que, nesse instante, lê no telemóvel: “Leo, o Ronaldo acabou de marcar um milhão de golos ao Getafe.”

O MÉTODO E A VISÃO DO FUTURO

David Squires tenta fazer um desenho por dia como obrigação profissional, ainda que só publique dois por semana no The Guardian.

Descreve o autor: “Durante a semana vejo jogos, anoto ideias sobre jogadores, equipas, eventos, factos políticos, cultura popular. O meu trabalho é solitário. Em tempos tive outras ocupações, mas depois chegava a casa e dava por mim a desenhar. Acho que nem há lugar para mim no mundo real propriamente dito. Tenho de criar o meu. A essência de ser um cartoonista implica a tal solidão, exige condições para estarmos sózinhos dentro da nossa propria cabeça. E esse nem sempre é um bom sítio para estar sozinho”.

O último desenho de Squires em A História Ilustrada do Futebol não é sobre história, é sobre o futuro. Nele surgem clubes descomunais numa liga planetária, humanos transformados em polegares gigantescos que fazem deslizar ecrãs; e uma visão tão aterradora como outra qualquer: "Em cinco mil milhões de anos, o sol expande-se, os oceanos fervem, o planeta arde. E o Arsenal fica em terceiro outra vez."


 

 

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Horizonte, azul-tranquilo – Retrospetiva Fernando Relvas – Bedeteca da Amadora inaugura a 14 de Janeiro


Horizonte, azul-tranquilo
Retrospetiva da obra de Fernando Relvas 

É inaugurada no próximo sábado, dia 14 de Janeiro, às 16 horas, permanecendo até 29 de Abril, na Bedeteca da Amadora, no último andar da Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos.


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sábado, 7 de janeiro de 2017

BDpress #471

Banda desenhada vai ter museu em Portugal
Na Revista “E” do jornal Expresso, 24/12/2016

Nuno Galopim

A criação de um museu dedicado à banda desenhada vai fazer de Beja um polo ainda mais activo no panorama da banda desenhada nacional. Ainda em fase de projeto, mas com um local ja destinado a acolhê-lo no centro histórico da cidade, o museu surge ao cabo de alguns anos de um trabalho que tem sido desenvolvido entre a BDteca local e o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, cuja 12ª edição decorreu este ano. Apesar de não haver ainda uma data prevista para a inauguração deste novo equipamento, "há já muito trabalho feito", explica ao Expresso Paulo Monteiro, o responsável do projeto que a autarquia tem em marcha.

Muito desse esforço a que se refere Deve-se à "teia de relacionamentos'' que o festival permitiu desenhar nos últimos anos, envolvendo "autores, colecionadores, especialistas em banda desenhada e jornalistas". A colecção que está na génese do "acervo muito confortável" do museu que vai nascer surge precisamente desses relacionamentos. Por causa do festival, explica Paulo Monteiro, têm passado por Beja "autores de banda desenhada, tanto portugueses como de muitos outros paises", e entre eles foram sendo reunidas; pranchas, desenhos originais, que, juntarnente com as publicações, revistas e álbuns que estão já em arquivo, permitirão contar a história da banda desenhada em Portugal desde 1850 até ao ano 2000, havendo oportunidade para conhecer depois alguns dos autores e das obras do século XXl atraves de mostras temporárias. A BD estrangeira estará também representada tanto nas colecções como nas exposições do museu, embora não seja esse o foco central da sua atenção.

Apesar de haver BDtecas e festivais de banda desenhada no pais, não havia até aqui um museu dedicado à nona arte, observando Paulo Monteiro que há países europeus com uma história bem mais reduzida no seu relacionamento com a banda desenhada, mas que têm já museus. A história da BD portuguesa inicia-se em 1850 com um primeiro trabalho de António Nogueira da Silva, que é "inspirado na BD francesa", observa o responsável pelo projecto do museu, vincando que fomos um dos primeiros países do mundo a ter uma criação nesta área, se bem que adquira a maior expressão um pouco mais tarde, corn Rafael Bordalo Pinheiro, nome que alguns vêem como sendo o “verdadeiro pai da banda desenhada portuguesa".

Esses dois autores são assim pioneiros de um universo que foi acolhendo, depois, trabalhos de Stuart Carvalhais, Cottinelli Telmo, Carlos Botelho, Eduardo Teixeira Coelho, José Ruy (ainda ativo) e, mais tarde, autores como Vítor Mesquita, Dinis Conefrey, Filipe Abranches, Filipe Melo ou Miguel Rocha, entre muitos outros.

A instalação do museu no ediffcio que lhe esta destinado fará transferir para ali não só eventos do festival de BD mas também a própria BDteca de Beja. Ou seja, a biblioteca já existente e os ateliês que ali decorrem passarão a habitar o espaço do museu. O trabalho na área edição, que conta já com o apoio da autarquia, "que tem lançado revistas de BD e o catálogo do festival", continuará a ser um dos objetivos principais deste relacionamento com a nona arte, pelo que não deixará de haver "uma publicação frequente de autores de BD da região e do resto do pais".

Paulo Monteiro defende que "estava na altura de aparecer um projeto deste tipo" entre nós, que permitirá assim cobrir o que era um espaço em falta na museografia "da história da arte em Portugal". O museu, com a sua exposição permanente e as propostas a realizar para exposições temporárias, "cumprirá essa função e ao mesmo tempo ajudará a conferir estatuto á BD e aos autores que poderão ver ali exposta a sua arte".


O museu vai ser instalado num edifício propriedade do município e situado na rua Dr. Afonso Costa, vulgarmente conhecida como rua das Lojas, no centro histórico de Beja. Neste sentido, a criação do Museu da Banda Desenhada vai também “ao encontro” da estratégia da Câmara de Beja de promoção, dinamização e valorização económica do centro histórico da cidade, frisou o autarca, referindo que o município está a trabalhar no projeto e ainda não definiu o investimento necessário nem uma data para a criação do museu avançar no terreno.

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

391º ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA (3Janeiro2017

391º ENCONTRO 
DA TERTÚLIA BD DE LISBOA 
(3Janeiro2017)

CONVIDADO ESPECIAL
SÉRGIO MARQUES





Nasceu em Paris (França) em 1988 e reside em Portugal desde 2002. Licenciado em Design de Comunicação e Mestre em Ilustração, Sérgio Marques tem desenvolvido trabalho no campo da ilustração editorial para diversos jornais e revistas nacionais, tendo igualmente trabalho publicado em França e Espanha. Foi premiado em 2013 com a selecção da sua ilustração “JORGE AMADO” (in Diário de Notícias) para a edição do World Press Cartoon, do mesmo ano. Em 2015 o álbum “CRUMBS” no qual colaborou ilustrando uma narrativa de Mário Freitas, foi premiado como “Melhor Álbum de Autor Português em Língua Estrangeira” pelo Festival de Banda Desenhada AMADORA BD. Em 2016 o álbum de Banda Desenhada “Fósseis das Almas Belas” que ilustrou, uma vez mais escrito por Mário Freitas, foi vencedor do Prémio “Melhor Argumento” atribuído pelo mesmo Festival de Banda Desenhada AMADORA BD. Actualmente está de novo envolvido e dividido entre projectos de carácter editorial e projectos pessoais (banda desenhada).

Hotel Hell
Imaginem que morreram e em vez de chegar aos portões dourados, visitam em vez disso, o Hotel Hell, onde cada hóspede prova o seu pior pesadelo vezes sem conta para toda a Eternidade no seu quarto!
Este é uma comédia dramática sobre Lúcifer, que chefia o Hotel e que recebe as visitas inesperadas de Jesus para inspeccionar o Hotel e do seu filho Damian que vive com a sua ex mulher.
Várias peripécias ocorrem, mas o Fim dos Dias está a chegar quando o Hotel estiver lotado e adivinhem?
...é época Alta ;)
Escrito de maneira soberba por André Mateus, esta é uma viagem incrível!

Sérgio Marques sentado numa das paragens de transportes públicos decoradas por ele, em Guimarães.

André Mateus Argumentista

Nasceu em Lisboa, a 26 de Fevereiro de 1990, e cresceu a ler bandas desenhadas dos anos 90, a ver filmes dos anos 80 e a ouvir música dos anos 70, acabando por tropeçar na direcção dum curso de Ciências da Cultura na Faculdade de Letras, e depois num de Escrita para Cinema, TV e New Media na Restart.

Como escritor, publicou alguns contos em colectâneas e antologias, e como guionista foi o autor da curta-metragem “Ciao Bambino” e trabalhou no talk show “É a Vida, Alvim” do Canal Q.

No mundo da BD, contribuiu para a webzine “H-alt”
e as antologias “FutureQuake”, “100% Biodegradable” e “Dark House”. Foi um dos vencedores do segundo concurso “Breaking Into Comics” da editora Darby Pop Publishing, tendo uma história curta no primeiro número da Women of Darby Pop Anthology. Acaba de lançar a sua primeira mini-série em banda desenhada, “Hotel Hell”, juntamente com o ilustrador Pedro Mendes.

https://www.behance.net/andre3m
http://andre3m.tumblr.com/

Pedro Mendes Desenhador de BD

Oriundo de Lisboa, Pedro Mendes soube desde tenra idade que queria desenhar como profissão, ao invés de outros amigos que sonhavam ser astronautas. Desde essa altura, ao ver um livro de banda desenhada pela primeira vez, sentiu que era amor à primeira vista.

Depois de um longo mas agradável desvio de percurso nos Fuzileiros, voltou em força à ilustração, colaborando para a webzine H-alt nos números 2, 3, e 4, e para o segundo número da antologia The Grime, onde conheceu o argumentista escocês James McCulloch, que o recrutou para desenhar os três capítulos da sua mini-série, “Little Girl Black”.

Pelo meio, desenhou ainda “Good Samaritans #2” e obteve o 2º prémio no 26º Concurso Nacional de Banda Desenhada, organizado pelo festival Amadora BD em 2015, bem como o 3º prémio no Concurso de Banda Desenhada de Odemira, no início de 2016. Lança agora, em conjunto com o argumentista Andre Mateus, o primeiro número da mini-série “Hotel Hell”.

pedro.creation@gmail.com
https://www.facebook.com/PedroMendesArt


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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

DISTRIBUÍDA A REVISTA DO CLUBE TEX PORTUGAL #5 – Dezembro de 2016

DISTRIBUÍDA 
A REVISTA DO CLUBE TEX PORTUGAL #5
Dezembro de 2016

As duas capas (principal e alternativa, como de costume), com ilustrações de Maurizio Dotti

O lápis de Maurizio Dotti para a ilustração da capa principal (pág. 46)

Verso da capa – ilustração de Alexandro Bocci

Verso da contracapa – Prancha de Del Vecchio ainda a lápis

SUMÁRIO 

4 – MAURIZIO DOTTI – EL SUPREMO – Sandro Palmas 
7 – OS SINOS DOBRAM POR LUCERO – Jesus Nabor Ferreira 
11 – POKER DE ASES – Moreno Burattini 
15 – O WOLKSWAGEN TEX ­– José Carlos Francisco 
16 – ENTRELAÇADOS – Sérgio Sousa 
24 – O HOMEM QUE MATOU LUCKY LUKE – João Miguel Lameiras 
27 – LUCKY LUKE – PRIMEIRAS APARIÇÕES EM PORTUGAL – Jorge Magalhães 
30 – TEX E AS CORES – Júlio Schneider 
31 – DESENHOS – HOMENAGENS A TEX 
33 – TEX EM 2016 – Mário Marques 
41 – ILUSTRAÇÃO PARA UMA CAPA – De Henrique Breccia para o Tex Gigante Capitan Jack 
42 – QUE OS SONHOS SEJAM ETERNOS – Fernanda Martins 
43 – O TEXAS E OS RANGERS (PARTE 2) – Jorge Machado-Dias 
46 – ESBOÇO DE MAURIZIO DOTTI do desenho que ilustra a capa principal desta revista

ALGUMAS PÁGINAS









 


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