quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O Kuentro tem uma nova página, na coluna do lado direito


O Kuentro tem uma nova página, na coluna do lado direito: 

5 – MAPA GERAL DE TODOS OS ENCONTROS DA TERTÚLIA BD DE LISBOA DESDE 1985


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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Programa do 390º ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA (6 Dezembro 2016) – CONVIDADA ESPECIAL – DANIELA VIÇOSO


390º ENCONTRO 
DA TERTÚLIA BD DE LISBOA
(6 Dezembro 2016)

CONVIDADA ESPECIAL
DANIELA VIÇOSO 





Daniela Viçoso (1990, Faro). Tirou a Licenciatura em Pintura nas Belas-Artes de Lisboa e é mestre em Ilustração pela Kingston University de Londres.

Teve a honra de ganhar o primeiro prémio do escalão A da Amadora BD do ano passado, e é a autora do livro “O Infante” publicado pela El Pep edições. Este é o primeiro livro de Boy’s Love português. Os seus interesses e trabalho baseiam-se muito em cultura e folclore português mas também em cinema contemporâneo e literatura clássica, especialmente os românticos.

O seu trabalho foca-se neste subgénero de origem japonesa (histórias de amor entre rapazes), mas interessam-lhe outros temas LGBTQ, história e cultura portuguesas e sobretudo, folclore. É freelancer, trabalha nos seus próprios projectos pessoais, tais como livros, fanzines, doujinshi homoerótico e outro merchandise. Recentemente foi uma das premiadas da “Bolsa do Centro Nacional de Cultura” Jovens Criadores 2016, com o projecto em resolução “BL à portuguesa”.

Clientes incluem a americana BOOM STUDIOS!, a Formato Verde, a Feira das Almas e trabalho encomendado pela internet. De momento, aparte do “BL à portuguesa” e à participação em feiras como a ThoughtBubble de Leeds ou a Comic Con do Porto onde vende o seu trabalho, trabalha muito por encomendas online. Também é frequente participar em fanzines internacionais, normalmente em torno de trabalho de fandom.

Fica também a dica que está a trabalhar em mais dois livros/histórias em BD: “O romance do Tejo” e o “Hora das Bruxas”, de temas lusos, homoeróticos e para quem não crê em bruxas mas que as há, há.

ARTIST STATEMENT: BOY’S LOVE, FOLKLORE, LIBERTÉ, EGALITÉ, HOMOSEXUALITÉ!

“eu, gótica algarvia, moça dum cabreste, sol quente do meio-dia, bioco andante, peixe do mar, moura encantada.”

Webpages e contactos:

Email: danielamvferreira (@] gmail.com
Portfólio: http://danielavicoso.tumblr.com/
Sketchblog: http://danibonbon.tumblr.com/tagged/DMVF
Facebook: https://www.facebook.com/DanielaVicosoWorks
Instagram: https://www.instagram.com/danibonbon/
Lojas online: https://society6.com/danibonbon & http://danibonbon.tictail.com/





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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

BEJA VAI TER MUSEU DA BANDA DESENHADA!

BEJA VAI TER 
MUSEU DA BANDA DESENHADA!

È oficial!!!

Recebemos o texto que se segue, de Paulo Monteiro, há minutos. Não deixámos arrefecer. Aqui vai:

"É difícil falar de Beja sem referir a relação que a cidade tem com Banda Desenhada.
A existência da Bedeteca e do Festival Internacional de BD, reconhecido um pouco por toda a Europa, fazem de Beja um dos principais centros de difusores desta arte no nosso país.

Ciente desse rico património, o Município de Beja decidiu apostar na criação de um equipamento que confirme a vocação da cidade neste domínio. Um equipamento que permita fazer um percurso pela História da Banda Desenhada Portuguesa, de 1850 até à atualidade, tendo ao dispor dos visitantes várias obras originais e uma forte componente multimédia, promovendo desta forma a banda desenhada entre todos os públicos.

O Museu de Banda Desenhada terá também ao dispor dos utentes vários ateliês, espaços de trabalho e galerias de exposições temporárias, entre outras valências.

A criação deste equipamento, que acolherá a Bedeteca de Beja, integra a estratégia de promoção, dinamização e valorização económica do Centro Histórico de Beja, pelo que o mesmo será instalado num edifício do município, situado em pleno Centro Histórico."


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sábado, 26 de novembro de 2016

GAZETA DA BD #64 - “Tudo Isto é Fado!”, de Nuno Saraiva – MELHOR ÁLBUM DO ANO



Gazeta da BD #64 – Na Gazeta das Caldas
25-11-2016
Jorge Machado-Dias

“Tudo Isto é Fado!”, de Nuno Saraiva
Considerado Melhor Álbum Português do ano no 27º Amadora BD 2016


O 27º Festival Amadora BD escolheu o livro Tudo Isto é Fado!, de Nuno Saraiva, como o Melhor Álbum Português de 2016. Não é um troféu inédito na carreira do autor, que já o vencera em 1998, com As Aventuras Extra Ordinárias de Zé Inocêncio e em 1999 com o terceiro volume de Filosofia de Ponta.

Nuno Saraiva é um típico autor de banda desenhada “à moda antiga”. Isto porque se fez herdeiro da tradição inicial da BD (até às décadas de 1960/70), quando a esmagadora maioria da produção de histórias desenhadas era publicada, primeiro em páginas de jornais ou revistas e só mais tarde compilada em livros, quando o era. Deste modo Saraiva tem colaborado regularmente, com ilustrações e séries de BD para os jornais e revistas Público, Marie Claire, Elle, Notícias Magazine, O Independente, GQ, Maxmen, Máxima, Expresso, Record, Inimigo Público, Grande Reportagem, Atlântico, Sol, Visão, etc., etc., etc...

Assim, Tudo Isto é Fado! foi uma série publicada nas páginas iniciais da extinta revista Tabu, suplemento do semanário Sol, desde 28 de Novembro de 2014, e durante 13 semanas. O álbum, com 60 páginas, surgiu em co-produção com o Museu do Fado (onde está à venda). Nele conta o autor a História do fado, a “cantiga do destino implacável e dos amores impossíveis”, através de lugares, pessoas, intérpretes e poetas emblemáticos, que deram forma a este género musical que se tornou Património Imaterial da Humanidade em 2011.

Claro que Nuno Saraiva seria talvez actualmente, o único autor de banda desenhada com estaleca para se aventurar numa história destas, devido ao seu conhecimento do bas-fond lisboeta, das vivências das personagens típicas do fado e não só, dos seus ambientes, etc...

E como diz o prórpio autor: “Tudo neste livro é um music hall, uma banda-desenhada-sonora para se ouvir, lendo. Um contínuo namoro entre uma peixeira e um pescador. Uma criança que foge para ouvir cantar um Rei. Um homem na cidade. Um malcriadão que nem gostava de laranjas. A rua que embora suja bordava os temas ascendentes do desejo. O último copo na hora da despedida que foi também de reencontro. Um cantar que a deixou levar. Uma corrida de táxi até ao passado. Uma poética aos poetas. Dois ou três traços aos desenhadores. Um japonês que quer uma guitarra morta mas vivida. Um filme que dança em Angola, no Brasil, em Espanha e aqui. E ele que não chega e depois não a larga mais. E tudo isto é Fado. Ate um Tuk tuk feito mensageiro intermitente de paixões é aqui Fado antes de deflagrar em praga pelas ruas de Lisboa. Até a Ginginha do senhor António é Fado. Ou o Tintin passeando na Feira da Ladra. Atrevo-me mesmo a dizer que até o pincel de Carlos Botelho, que odiava o Fado, era em si Fado. Tudo isto é Fado!”


Quanto aos restantes premiados do Amadora BD deste ano, Mário Freitas, foi considerado o autor do melhor argumento para álbum português, com Fósseis das Almas Belas, desenhado por Sérgio Marques, sendo João Sequeira considerado autor do melhor desenho para álbum português com Tormenta, sob argumento de André Oliveira.

Destaque também para o galego Miguelanxo Prado, com Presas Fáceis, considerado o melhor álbum de autor estrangeiro. Revisão – Bandas Desenhadas dos Anos 70, uma coletânea de BD portuguesa publicada pela Chili com Carne e V de Vingança, de Alan Moore e David Lloyd, foram considerados, ex-aequo, os melhores clássicos da nona arte.

Shock foi o título do mítico fanzine criado e publicado durante anos por José Estrompa desde 1983, tendo sido considerado melhor fanzine do ano no Festival da Amadora de 1994. Shock-Tributo a Estrompa, o álbum agora editado pela El Pep Store & Gallery, como tributo ao seu criador, falecido em 2014, foi considerado “melhor fanzine” de 2016. O facto de esta edição não poder ser considerada um fanzine, dado que é um álbum publicado por uma editora, revela alguma displicência da organização do Amadora BD e do modo como são atribuídos estes prémios.

No que diz respeito a ilustração para a infância, Joana Estrela foi considerada autora do melhor desenho de livro português, com Mana, e a castelhana Ana Pez autora do melhor desenho de livro estrangeirao com O meu irmão invisível.






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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

«O Mosquito» e «Chicos» - AS PUBLICAÇÕES INFANTO-JUVENIS QUE ABALARAM A PENÍNSULA IBÉRICA (7) – por José Ruy

AS PUBLICAÇÕES INFANTO-JUVENIS
QUE ABALARAM A PENÍNSULA IBÉRICA

«O Mosquito»
«Chicos»

(7)

Por José Ruy

GUERRA E SONHO

Recordo as condições dramáticas que existiam em Espanha e as dificuldades porque passava a equipa de «Chicos» para pôr na rua esse semanário a horas certas.
Em 1937 um ano antes de ter surgido «Chicos» aconteceu uma tragédia na Cidade de Guernica. Foi bombardeada e arrasada.
Pablo Picasso fez uma pequena história em quadrinhos numa homenagem a este tipo de grafismo, e a denunciar o bárbaro acontecimento, antes de pintar o grande quadro que ficou célebre.


Picasso deu-lhe o título de «O Sonho e a Mentira de Franco». 
Estes originais encontram-se na Hayward Gallery de Londres. 

Claro que esta história não foi publicada no «Chicos» mas é uma curiosidade pelo facto de ser uma narrativa gráfica do grande pintor e desenhador espanhol, que se enquadra no ambiente de guerra vivido na altura.

«Chicos» conseguia manter o Sonho por sobre o ambiente dantesco e hostil, mesmo fratricida, num país dividido em dois grupos empenhados em destruir-se, sendo um jornal dedicado aos jovens no meio de um panorama mais desolador do que se possa imaginar.
Os recursos eram mínimos. Consuelo Gil intitulava-se de «Fada Madrinha», pois com uma varinha mágica invisível conseguia o milagre de colocar nos postos de venda, todas as semanas mais um número, como por encanto.


Entretanto em Portugal, numa neutralidade podre, também se sentia o efeito de incerteza quanto à Segunda Guerra Mundial. E as ilustrações criadas por ETCoelho produziam também um salutar Sonho, com figuras que voavam como que libertos da gravidade, em situações mirabolantes acompanhando o estilo das novelas de José Padiña que nunca iria assinar com o seu nome verdadeiro, deixando os leitores sonhando sobre quem seriam os vários autores que os pseudónimos sugeriam.
Estas ilustrações ao serem republicadas também em «Chicos» produziam no país vizinho o mesmo efeito.
Foi este fascínio que prendeu o público a estas duas publicações durante gerações.
A «pedrada-no-charco» produzida com o seu aparecimento em 1936 e 1938 foi mantendo as ondas de choque mesmo com o passar dos anos.
Em Portugal apareciam na redação de «O Mosquito» rapazitos que conseguiam cinquenta centavos devido a algum recado prestado a alguém, e pediam «um Mosquito». --Que número, perguntavam-lhes. -Um qualquer! 
Um exemplar isolado, com histórias que vinham de continuação e continuavam, servia para «sonhar» naquele momento, como um bolo que lhes mantivesse o doce na boca mesmo para além de o terem mastigado.
Mas este era principalmente o Sonho do Tiotónio, Raul Correia e de Consuelo Gil.

AS VÁRIAS PUBLICAÇÕES EDITADAS 
POR «O MOSQUITO» E «CHICOS» 

Em Portugal foi criada a empresa «Edições O Mosquito» e na sua oficina própria imprimiram-se muitas outras
Revistas e jornais, a maioria edições da casa.


  

   

Era inevitável que as aventuras, contos e novelas não tocassem mesmo esporadicamente no aspecto bélico que envolvia o mundo. 

Em Espanha Consuelo Gil, em 1941decidiu criar outra publicação.
Segundo o depoimento de Antonio de Mateo, Consuelo convocou Jesus Blasco, que ela chamava de «chefe do clã Blasco» (Adriano, Alexandro, Pili e ele próprio) e comunicou-lhe:

«Jesus, vamos reduzir o formato de «Chicos», o que representa uma sobra de papel. Isso nos permitirá criar uma revista pequenina, 11x21 cm e gostava de dedica-la a todas as meninas espanholas.
Cria-me uma personagem, uma menina que seja uma espécie de «Cuto» com saias».

Jesus Blasco esboçou de imediato a figurinha graciosa que ficou célebre na Península Ibérica. Em Espanha como «Anita Diminuta» (pelo reduzido formato da publicação) e em Portugal como «Anita Pequenita».


 

«Mis Chicas» começou com o formato do papel economizado das bobinas em que era impresso «Chicos» e depois conseguiu uma dimensão praticamente quadrada.
Mais tarde a revista «Chicas» substituíu a «Mis Chicas».

«O Mosquito» a partir de 1943 iniciou também um suplemento chamado «Formiga» incluindo as aventuras de «Anita» rebaptisada por Raul Correia de «Pequenita».


«A Formiga» tinha também um formato pequeno, metade da dimensão de «O Mosquito» nessa altura, o seu formato de guerra, que podia ser destacável e como se mostra, encadernada. Para o seu logótipo, digamos assim, ETCoelho criou também uma figurinha, uma formiga vestida com saia até aos pés, ao contrário da imagem de Blasco, que tinha saia curtinha.
Este suplemento nunca conseguiu a emancipação pensada. Ficou sempre a fazer parte do interior de «O Mosquito».



Entre as mais de vinte publicações suplementos de «Chicos», por certo a de maior importância foi o mensário «El Gran Chicos». Repare-se num pormenor que não era vulgar ver-se, a assinatura de Blasco a duas cores.

«CHICOS» E A MÚSICA 

E já que falo na rubrica de Blasco conto uma curiosidade.
Jesus Blasco sempre adicionou à sua assinatura uma nota de música. Não só eu como outros colegas em Portugal interrogávamo-nos do porquê, e do seu significado. Quando em maio de 1984, alguns de nós nos deslocámos a Barcelona à «Feria del Comic», o Eugénio Silva, o mais curioso de todos, não resistiu a perguntar o significado da nota musical. 
Blasco explicou que era o som que fazia a folha de papel onde acabara de desenhar mais uma página a afastar-se rapidamente para a gráfica, iniciando de imediato uma nova. Era o silvo produzido pela deslocação.
Isso correspondia à velocidade com que trabalhava. Mas se todos os seus colegas de «Chicos» rubricassem com notas de música, cada número das muitas edições de «Chicos» formaria uma verdadeira partitura.

Mas afinal esta sugestão não andará muito longe da realidade, pois «Chicos» teve mesmo um programa radiofónico,
«15 Minutos de Rádio». Ia para o ar aos sábados às 21 horas, no Rádio Madrid.
Dramatizavam histórias que saíam no «Chicos» e foi aí que estrearam o hino «Montañeros», a primeira canção de «Club de Chicos» entre outras canções, com música composta pelo marido de Consuelo, Jose Maria Franco, com letra de J. Fez Gomez.


Consuelo Gil também fazia poemas que seu marido musicava.
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Próximo artigo: 

Quanto ganhavam os Colaboradores. 

Por José Ruy

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