segunda-feira, 21 de maio de 2012

JOBAT NO LOULETANO – 9ª ARTE – MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (XLIV e XLV) – CARLOS ALBERTO E O MUNDO DA BD – ESBOÇOS DE MEMÓRIA 1 - Por José Batista




9ª ARTE
MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA
(XLVI - XLVII)


O Louletano, 15 a 21 de Fevereiro 2005 

CARLOS ALBERTO E O MUNDO DA BD 
ESBOÇOS DE MEMÓRIA – 1

por José Batista 

Só verdadeiramente tomei conhecimento da existência de Car­los Alberto (CA) como ilustrador, aquando da publicação da sua colecção de cromos, "História de Portugal", pela Agência portugue­sa de Revistas, no início da década de 50.

Verdade que, já dois anos antes, em 1948, com 15 anos apenas, CA publicara ilustrações soltas em novelas de texto de Hermínio Rodrigo da Conceição e de outros autores no jornal "O Camarada". Ambos, ilustrador e novelista, tinham mostrado os seus originais a António Manuel Couto Viana e Júlio Gil, directores, respectiva­mente, literário e artístico do jornal. Aceite a colaboração, esta prolongar-se-ia até à extinção do jornal, em fins de 1950.

O fim prematuro da publi­cação não permitira a conclusão da sua primeira BD, "O Escudo do sarraceno", iniciada no N° 116, de 16 de Setembro de 1950, desse jornal. Embora com ape­nas 16 páginas publicadas, detectar-se-á, nessa estreia, a ca­pacidade narrativa e a evolução técnica do ilustrador, onde, pese algumas influências de ETC, – quem, dos desenhadores desse tempo, não foi tocado pelo traço e magia das suas ilustrações!? – fazia antever o estilo que ao lon­go da sua carreira caracterizaria os seus trabalhos: um traço es­pontâneo e elegante, firme e equilibrado, cujas vinhetas ca­tivavam pela beleza da forma, enquadramento e movimento, numa agradável síntese de claro escuro que o hábil domínio do pincel, acentuava.

Pouco depois, a publicação da colecção de cromos "História de Portugal" colocaria o seu autor entre os mais destacados desenhadores nacionais nessa área.

Nascido a 18 de Julho de 1933, e após concluída a quarta classe, Carlos Alberto é admitido com apenas 12 anos, como ajudante, na Bertrand & Irmãos, local onde o seu pai e José David são funcionários.

É aí que este último o conhece, convidando-o a ingressar no seu atelier, em Junho de 1947, o qual na altura funcionava como secção de desenho da Fotogravura Nacional. É nesse atelier que Carlos Alberto desenhará a "História do João dos Mares", publicada a partir do N° 1, n' "O Mundo de Aventuras", saído em 14/8/49. No ano seguinte, na Foto­gravura Nacional, Carlos Alberto ilustrará a "História de Portugal", a qual constitui um êxito sem precedentes para a Agência Portuguesa de Revista, com mais de uma dezena de reedições, mas sem benefício económico algum para o ilustrador, devido à nebulosa leitura a que era sujeita a lei dos direitos de autor, na época. Admirador dos seus desenhos desde a publicação dessa obra, era imensa a minha curiosidade em pessoalmente conhecer o artista que a concebera, pois que normalmente sempre os imaginamos de acordo com o "cânon" físico e personalidade dos personagens que ilustram.

Foi ainda quando o aparo, mais do que o pincel, era por ele utilizado, que o conheci, no já longínquo e frio Dezembro de 1954, quando pesso­almente se deslocava à sede da APR para entregar os originais de "Ousadia Triunfante" que "O Mundo de Aventuras" começaria a publicar a partir do N° 284, em 20 de Janeiro de 1955. Admirar ao vivo os seus desenhos – pois que os mesmos, embora entregues a Mário Aguiar, seguiam depois para a redacção onde já me encontrava desde Setembro / Outubro de 1954 – foi como manusear uma preciosidade sem preço, tal a sensação que sentia ao tocar-lhes.

Não faltaria muito para que a sua presença fosse constante na redacção da empresa nos vinte anos seguintes.


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O Louletano, 22 a 28 de Fevereiro 2005 

CARLOS ALBERTO E O MUNDO DA BD 

ESBOÇOS DE MEMÓRIA – 2 

por José Batista 

A publicação da BD "Ousadia Triunfante", nas páginas do Mundo de Aventuras (M.A.), marca o início da presença de Carlos Alberto (CA.) na redacção da Agência Portuguesa de Revistas (APR), em Janeiro de 1955, e, também, da sua ininterrupta colaboração nas décadas seguintes nas revistas da empresa. No período que medeia entre a saída da dupla Roussado Pinto/Vítor Peon, (R.P./V.P.)para o Fomento de Publicações, em meados de 54, e a entrada de CA, avulta, na APR, a colaboração de um novo elemento, Filipe Fi­gueiredo, com capas e ilustrações soltas, o qual, por razões que desconheço, deixaria a empresa meses depois. Mário de Aguiar, (M .de A.) ferrenho adepto do Benfica, tê-lo-á convidado a colaborar nas revistas de BD por o mesmo dar mostras de alguma capacidade no campo da ilustração e, simultaneamente, ser filho de um antigo jogador seu conhecido, o "Tamanqueiro".

A estada de CA. na empresa – tal com já acontecera com a entrada da dupla R.P./V.P., no n.° 29 do M.A. e, tal como antes a de E. Teixeira Coelho, como gráfico e ilustrador, n'"O Mos­quito " – permite um arejamento na área de ilustrações e cabe­çalhos, pois que, após a saída de Roussado Pinto e Vítor Péon, o M.A. entrou num período de notória estagnação, em termos puramente gráficos.

Segundo informações pessoalmente fornecidas por Roussado Pinto, Mário Aguiar tê-lo-á chamado para obstar ao fim próximo do M.A., o qual era na altura dirigido com uma dinâmica ultrapassada em termos de texto, contacto com os leitores e aspecto gráfico, embora com óptimas séries em publicação. R.P. teria apenas quatro números para tentar suster a queda da tiragem e o fim da publicação. A mudança de formato e a capacidade e experiência dessa notável dupla, catapultaram o M.A. para o período áu­reo, que nessa fase, praticamente se prolongaria até à saída de ambos.

A minha admiração pelos nomes citados – R. Pinto, V. Péon, E.T. Coelho e C. Alber­to, entre outros de similar craveira – talvez permita supor algum exagero no parale­lismo da comparação, mas um olhar atento sobre o referido período, confirmará a justeza da análise proposta. Todavia, o mesmo se poderá dizer da altura em que a Jorge Magalhães é dada a possibilidade de gerir a escolha das personagens, a tra­dução e o aspecto gráfico do M. A., e bem assim na edição de alguns álbuns que hoje os coleccionadores avidamente disputam, mas isso será assunto para futuros textos nesta coluna.

Numa época considerada como o apogeu da BD nacional, pelo naipe dos ilustradores portugueses com originais publicados, – salientando-se, entre os ci­tados, Fernando Bento, José Garces, José Ruy, Júlio Gil, José Manuel Soares, José Antunes e alguns mais do "Camarada" e da "Lusitas",- o aparecimento de Carlos Alberto veio sem sombra de dúvida enriquecer o leque e o nível da BD de origem portuguesa.


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A FILHA DO REI DE NÁPOLES - PRANCHAS 5 e 6

Jorge Magalhães (argumento) e Carlos Alberto (desenhos)


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