domingo, 29 de dezembro de 2013

Gazeta da BD #18 Na Gazeta das Caldas – As Aventuras de DogMendonça e PizzaBoy


GAZETA DA BD #18
NA GAZETA DAS CALDAS

Gazeta das Caldas, 27 de Dezembro de 2013

AS AVENTURAS DE DOGMENDONÇA E PIZZABOY
Jorge Machado-Dias, Director do BDjornal


Como escrevemos no “BDjornal” #29, a propósito de As Aventuras de DogMendonça e PizzaBoy, parece que a banda desenhada portuguesa, de repente, redescobriu a função de “puro entretenimento” (característica inicial deste meio de expressão), aliando um argumento de pura fantasia com um desenho de grande qualidade numa narração bem construída, com um ritmo de “cortar a respiração”. É verdade que já havíamos tido um começo deste tipo de ficções bem conseguidas quando, em 2006, no “BDjornal” #13, se iniciou a publicação de BRK, com argumento de Filipe Pina e desenhos de Filipe Andrade, publicação que durou no “BDjornal” até 2008, tendo sido depois recolhida em álbum pela Asa em 2009 – ano em que foi também publicada (pela Asa) uma outra obra com estas característias, Asteroïd Fighters, de Rui Lacas. Temos, já agora, que referenciar aqui também outra obra, na mesma linha, posterior a DogMendonça e PizzaBoy, o excelente O Baile, com argumento de Nuno Duarte e desenhos de Joana Afonso, publicado pela Kingpin Books em 2012 – que já referenciámos nestas crónicas.

Esta série de As (Incríveis, Extraordinárias e Fantásticas) Aventuras de DogMedonça e PizzaBoy, publicadas pela editora Tinta da China, começam quando Filipe Melo, um compositor português, professor de música e pianista de jazz, depois de uma incursão pelo cinema, começa a escrever a história mirabolante que lhe deu origem: um distribuidor de pizzas, Eurico Catatau, que não se dá muito bem com aquele emprego, vê-se perante o roubo da sua motorizada (instrumento essencial do seu trabalho), chegando à conclusão que tal roubo foi efectuado por uma... gárgula. Sim, aquelas esculturas fantasmagóricas de monstros que adornam as cornijas, para escoar as águas da chuva, nas catedrais medievais. É então aconselhado a contratar um “detective do oculto”, de seu nome João Vicente “Dog” Mendonça, um lobishomem investigador do paranormal, que tem como assistente uma menina de cerca de dez anos, que fuma que nem uma chaminé, mas que oculta no seu corpo um demónio com cerca de dois mil anos de idade e que dá pelo nome de Pazuul. A Gárgula, ou apenas a cabeça dela, será o contraponto cómico das histórias.

Assim, depois de no primeiro volume da saga, As Incríveis Aventuras de DogMendonça e PizzaBoy (2010), terem salvo o mundo de uma ameaça nazi, surgida no subsolo de Lisboa, com a reencarnação de Hitler, ele próprio, coadjuvado por uma série de demónios do sub-mundo, e de, em As Extraordinárias Aventuras de Dog-Mendonça e PizzaBoy II – Apocalipse (2011), terem evitado o Apocalipse com uma ajuda “desinteressada” da Senhora de Fátima, neste último volume, As Fantásticas Aventuras de DogMendonça e PizzaBoy III – Requiem (2013) vêem-se a braços com um inimigo vindo do passado que evocará recordações dolorosas para o próprio DogMendonça.

Esta última história termina (como as outras) em Lisboa, desta vez frente à Assembleia da República, quase completamente destruida pelos acontecimentos e depois, num epílogo comovente, assistimos ao funeral de DogMendonça, após quase 120 anos de vida...

Acescentamos que, como diz Pedro Cleto no seu blogue (asleiturasdopedro.blogspot. com), são histórias “onde se cruzam referências cinematográficas, literárias e dos próprios quadradinhos, em especial das décadas de 80 e 90, e onde nada nem ninguém é poupado (nalguns casos literalmente), de Hitler ao papa, passando pelo primeiro-ministro português, soube conquistar um público pouco habituado a encontrar na BD nacional propostas simultaneamente populares e de qualidade”.

Filipe Melo conheceu o desenhador argentino Juan Cavia num festival de cinema na Argentina, este conhecia Santiago Villa, o colorista destas histórias, e estava encontrada a equipa base desta realização.

Os dois primeiro livros vão já na 5ª e 3ª edições, respectivamente e a editora norte-americana Dark Horse, para além de ter editado o primeiro volume da série, encomendou aos autores quatro histórias curtas, publicadas na revista “Dark Horse Presents” #4 a #7 (2011) e reunidas depois num “one-shot” com o título The Untold Tales of DogMendonça and PizzaBoy, ainda inédita em português.


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